O Bom Jardim é um bairro de Fortaleza, Ceará, onde moram 37.758 pessoas (IBGE, 2010). Devido sua ligação cultural e social com outros quatro bairros (Granja Portugal, Granja Lisboa, Canindezinho e Siqueira), a região é também conhecida como Grande Bom Jardim e engloba mais umas 20 comunidades não reconhecidas oficialmente como bairros, o que amplia a população para 204 mil pessoas, ou 8,33% da população da capital.

No imaginário de muitas pessoas da cidade tudo é “Bom Jardim”, lugar da periferia de Fortaleza estigmatizado pela violência, cheio de miséria, desemprego e marginalização. Poucos têm conhecimento do nível de organização social existente na região, que reúne dezenas de associações comunitárias e organizações da sociedade civil que promovem diversas atividades culturais, artísticas e comunitárias.

O bairro, segundo moradores mais antigos, começou a surgir em 1961, com a chegada das primeiras famílias.

Uma parte desta organização tem relação direta com a chegada dos missionários combonianos à área em 1987, trazendo uma visão diferente de ser Igreja. Em conjunto com religiosos e leigos, eles assumiram os trabalhos da Igreja Católica na região, com um estilo de presença e prática libertadoras, a fim de favorecer a organização dos pobres, vistos como verdadeiros sujeitos da evangelização e da história. Com o incentivo de Dom Aloísio Lorscheider, à época, foi articulada uma Área Pastoral do Bom Jardim, que reuniu, além das pastorais tradicionais da Igreja, um conjunto de CEBs interligadas a uma caminhada comum. Depois, voltou o modelo tradicional.

O desafio de fazer do Bom Jardim um lugar onde toda formação humana fosse respeitada e incentivada, passou a ser compromisso de todos/a/s, respeitando as diferenças de gênero, de orientação sexual, de crenças, de cultura. A Igreja Católica passou a estar mais presente no cotidiano das comunidades, compartilhando dificuldades e buscando soluções para os problemas ao lado das pessoas. Também assumia uma postura ecumênica, dialogando com outras manifestações religiosas.

Desta forma, foram se concretizando as lutas sociais por melhores condições de vida. Mobilizações por terra, por água, por vias com boas condições de tráfego, por escolas e muitas outras necessidades básicas. Com o passar dos anos, aumenta a consciência das pessoas sobre a importância de serem os sujeitos transformadores e construtores de sua história, respeitando as ideias e os valores de cada um(a).