O Movimento Saúde Mental realizou mais uma formação em Abordagem Sistêmica Comunitária (ASC) na Bolívia. Desde 2012, essas atividades acontecem no país vizinho e já formaram dezenas de pessoas que aplicam a tecnologia socioterapêutica de múltiplo impacto desenvolvida na periferia de Fortaleza, em grupos comunitários e espaços de encontro e cuidado.

Dessa vez a formação aconteceu entre os dias 4 e 8 de outubro, na Universidade Maior de San Andrés (UMSA), em La Paz, capital da Bolívia. O momento foi assessorado pelo presidente do Movimento, pe. Rino Bonvini e Natália Martins, diretora executiva da instituição. Além deles, pessoas formadas anteriormente em ASC, tiveram a oportunidade de ministrar parte do diplomado.

Ao todo, 22 pessoas participaram desse momento de difusão da ASC. Entre elas, psicólogos, a maior parte, mas também, médicos, nutricionistas, educadores sociais. A maioria deles trabalha nos municípios bolivianos com meninos e meninas, adolescentes em situação de violência, mas também com mulheres.

Experiência da ASC na Bolívia

“Achei a experiência muita rica, porque sendo psicóloga, mudou minha maneira de ver o mundo. De ver não mais o especialista em saúde mental como o único salvador, mas a totalidade de experiências de um grupo e, a partir dessa maneira, perceber que a solução de todos os conflitos nasce de um grupo e não fora dele”, partilha Bitia Vargas Calderón.

Calderón e Fidel Sivila, foram formados anteriormente em ASC e, nesse diplomado, fizeram parte do corpo de docentes, junto com Rino Bonvini e Natália Martins.

“Eu conheci a Abordagem Sistêmica Comunitária já faz seis anos, desde 2013. Na oportunidade, Rino e Natália vieram à Bolívia trabalhar com um grupo de pessoas que queriam se formar em terapia comunitária. Nós tivemos uma capacitação de duas semanas na modalidade de imersão”, lembra Bitia.

Tanto Bitia como Fidel puderam conhecer pessoalmente a experiência da ASC, no Brasil: as rodas de Terapia Comunitária, vivências de autoestima, de acolhimento, entre outras. A partir das vivências com a Abordagem Sistêmica Comunitária, Bitia iniciou o Q’umara, espaço de práticas e terapias, como o Movimento Saúde Mental e, também, de formação de multiplicadores em ASC.

“Eu acho muito importante a ASC no contexto sociocultural boliviano, porque resgata o sentido de pertencimento à cultura, ao grupo e isso fortalece o grupo, empodera o grupo”, ressalta Bitia.

Para ela, quando as pessoas participam das rodas de terapia comunitária, elas se sentem sábias, sentem que podem dividir suas experiências, suas maneiras de solucionar alguns problemas com as outras pessoas e entender sua capacidade de resiliência. “Por isso eu penso que é uma metodologia muito poderosa, que atua como protetora e promotora de saúde mental”, comenta.

 

Sobre o Movimento Saúde Mental

Fundado em 1996, o Movimento Saúde Mental atua, entre outras coisas, com grupos de terapia comunitária, embasado pela Abordagem Sistêmica Comunitária, e desenvolve atividades para todas as faixas etárias no bairro Bom Jardim, em Fortaleza e bairros vizinhos.