(Com proposição da vereadora Adriana Gerônimo, do Mandata Coletiva Nossa Cara, a solenidade foi requerida pelo deputado Renato Roseno, que ressaltou o trabalho realizado pelo Centro / Foto: Marcos Moura)

 

Na tarde desta terça-feira, 9, o Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS) foi homenageado pelos 30 anos de atuação em defesa dos direitos humanos. A sessão solene aconteceu no auditório João Frederico Ferreira Gomes, na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece). A homenagem atende ao pedido do deputado estadual Renato Roseno (Psol) e da vereança coletiva Nossa Cara, representada pela vereadora Adriana Gerônimo, (PSol). O deputado estadual De Assis Diniz (PT) subscreve a sessão. Durante a solenidade, Renato Roseno ressaltou o trabalho realizado pela instituição na articulação de diferentes dimensões da luta pelos direitos humanos. O evento também homenageou outras 16 instituições parceiras, entre elas, o Movimento Saúde Mental (MSM)

 

As duas instituições nasceram no Grande Bom Jardim e atuam no fortalecimento da comunidade, empoderando os moradores do território através de ações como a Rede de Desenvolvimento Integrado e Sustentável (Rede Dlis) e a Rede de Cozinhas Solidárias do Grande Bom Jardim. O Movimento também criou a Escola de Gastronomia Autossustentável (EGA) e o Giardino Buffet – negócio social do MSM -, espaços de profissionalização em gastronomia que atendem, especialmente, mulheres da região. Essas ações fazem parte da Abordagem Sistêmica Comunitária no acolhimento, escuta e cuidados dos moradores do grande Bom Jardim.

 

As atividades desenvolvidas pelas duas organizações incluem projetos nas áreas da educação, saúde, cultura, direito à cidade, enfrentamento à pobreza e cidadania. As ações têm como objetivo atender as demandas pautadas pelas lutas comunitárias, ajudando no enfrentamento aos problemas sociais que atingem as comunidades. A mobilização e o engajamento comunitário é fundamental para a afirmação democrática dos territórios periféricos. O fortalecimento dessa rede ajuda na superação da Síndrome da Colonialidade Internalizada. 

 

Além das ações citadas, o Movimento Saúde Mental desenvolve diversas ações com foco na saúde mental e no desenvolvido biopsicosocioespiritual das pessoas acolhidas. Na Palhoça Terapêutica, são ofertadas as Práticas Integrativas Complementares (PICS) individuais e em grupos. O MSM também oferece cursos e oficinas de arteterapia, na Casa AME (Arte, Música e Espetáculo). Em colaboração com o Instituto Nordeste Cidadania (INEC), a Casa AME também realiza cursos de inclusão digital, em que as crianças aprendem a fazer games e práticas de robótica por meio da cultura maker. Com a aprovação do Ministério do Trabalho e Emprego e a chancela do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o MSM realiza o programa Jovem Aprendiz, possibilitando o desenvolvimento de habilidades profissionais, pessoais e o fortalecimento da inteligência emocional de jovens do território. Com o objetivo de elevar a autoestima e estimular o desenvolvimento das inteligências múltiplas das crianças e adolescentes para fortalecê-los contra o uso de substâncias entorpecentes, o projeto Sim à Vida acolhe 210 participantes em cinco núcleos, dois em Fortaleza, e outros três em territórios indígenas Pitaguary, localizados na cidade de Maracanaú.

 

Na ocasião, o Movimento Saúde Mental foi representado pelo presidente da instituição, padre Rino Bonvini, e pelo coordenador geral do Movimento Saúde Mental, Elizeu Sousa. Em abril, a Alece realizou sessão solene em reconhecimento ao trabalho realizado pelo MSM e por outras instituições no que se refere ao impacto positivo da biodança na promoção da saúde. O requerimento foi de autoria da deputada Larissa Gaspar (PT). 

 

 

SOBRE A ABORDAGEM SISTÊMICA COMUNITÁRIA

 

A Abordagem Sistêmica Comunitária é uma metodologia socioterapêutica multidisciplinar e de múltiplo impacto, que atua na prevenção do sofrimento psíquico e existencial. Organizada sob três princípios – Autopoiese Comunitária, Trofolaxe Humana e Sintropia -, a Abordagem Sistêmica Comunitária foi reconhecida, em 2009, como tecnologia socioterapêutica efetiva e replicável pela Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social. Já em 2018, a ASC foi considerada uma inovação em Saúde Mental pelo MHIN (Mental Health Innovation Network) – vinculado à Organização Mundial da Saúde. 

 

 por Gabriele Félix