“CEBs: caminhando com as juventudes, na alegria do Evangelho, a serviço do Reino” é o tema do 16º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que acontecerá de 20 a 24 de julho de 2027, em Cachoeiro de Itapemirim, no Espírito Santo. O evento tem uma fase intensa de preparação e já está disponível o texto-base, onde são apresentadas as reflexões centrais do grande encontro.
Entre os diversos temas abordados estão questões relacionadas à mulher; às juventudes indígenas e negras; afetividade e sexualidade; religiosidade, espiritualidade e lugar teológico; mundo do trabalho; emergência climática e casa comum; saúde mental; comunicação, entre outros.
Para contribuir com as reflexões no campo da saúde mental, padre Rino Bonvini colaborou com o artigo “Da Via Crucis à Via Lucis: saúde mental e novos desafios pastorais” que integra o texto-base. Nele, traz dados que mostram que o tema já é um dos grandes desafios atuais para diversas populações no mundo, pois a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que 30% da população ativa sofre de transtorno mental.
“O Brasil é considerado o país mais ansioso do mundo e cerca de 18,6 milhões de brasileiros, aproximadamente 9,3% da população, já apresentaram sintomas de ansiedade. Os afastamentos do trabalho por ansiedade e depressão quase triplicaram em 10 anos, chegando a mais de 307 mil no ano de 2024, segundo o Ministério da Previdência”, aponta no artigo.
Quando o recorte é específico sobre as juventudes, a situação também é preocupante. Segundo ele, são muitos os fatores que contribuem para o aumento do sofrimento psíquico e da fragilidade da saúde mental dessa população. “Mais de 23% dos jovens brasileiros estão fora da escola e sem trabalho formal; apenas três em cada dez acreditam que terão mais oportunidades que seus pais; e um em cada três apresenta sintomas de ansiedade e depressão”, diz.
Em sua reflexão, padre Rino ressalta ainda as marcas da Síndrome da Colonialidade Internalizada sobre as juventudes. Identificada por ele em sua tese de doutorado, a síndrome é “oriunda de séculos de dominação escravocrata, com o genocídio cultural dos povos originários e o extermínio de milhões de seres humanos. (…) Provoca uma paralisia existencial que interfere no processo de evolução e de autoafirmação das pessoas”.
Em seus 30 anos de atuação junto ao Movimento Saúde Mental, o padre Rino desenvolveu a Abordagem Sistêmica Comunitária, uma socioterapia de múltiplo impacto que se baseia em “Acolher, escutar, cuidar e oferecer caminhos para transformar a crise em uma oportunidade de crescimento e de evolução biopsicossocioespiritual, e finalmente convidar a pessoa para assumir a própria corresponsabilidade”.
No decorrer do artigo, ele aponta caminhos possíveis para superação do sofrimento psíquico e construção de uma sociedade mais justa e fraterna, como apontaram o Papa Francisco, na sua Carta Encíclica “Laudato Si”, e o Papa Leão XIV, na sua Exortação Apostólica “Dilexi te”.
Você pode acessar o documento na íntegra neste link https://movimentosaudemental.org/wp-content/uploads/2026/07/Cartilha-Texto-base-em-preparacao-ao-16o-Intereclesial_Correcao-1-1.pdf